Tipos de Fototerapia

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A fototerapia é um tipo de procedimento médico que utiliza a radiação ultravioleta para tratamento de várias doenças. Sua utilização vem desde a Antiguidade, evoluindo no decorrer dos anos, e de acordo com o tipo de radiação utilizada (UVA ou UVB).  Altera também conforme os comprimentos de onda, assim como com os tipos de aparelhos utilizados, podendo ser sistêmicas e localizadas.

A correta indicação, o tipo de radiação, o tipo de lâmpadas, a quantidade de lâmpadas, se a câmera é profissional ou não, se a câmera tem manutenção periódica, se a radiação é controlada periodicamente e os tempos ajustados, tudo está relacionado a influência na resposta ao tratamento. As indicações mais habituais e de melhores resultados são a psoríase, o vitiligo, o linfoma cutâneo de células T, a parapsoríase, os eczemas e a hipomelanose macular progressiva.

A fototerapia pode ser utilizada isoladamente ou associada a vários outros medicamentos tópicos e/ou sistêmicos, a exemplo dos corticosteroides, os inibidores de calcineurina (tacrolimus ou pimecrolimus), os análogos da vitamina D (calcipotriol ou similar), o coaltar e similares, os retinóides, o metotrexate, a ciclosporina, assim como os imunobiológicos, muitas vezes visando à obtenção de rápido controle das dermatoses com doses menores de medicamentos.

Existem limitações como em qualquer modalidade terapêutica, desde relativas à doença, quanto ao equipamento necessário, custos, a disponibilidade do paciente em aderir ao tratamento de modo regular e prolongado, considerações clínicas como a dose cumulativa total dos raios UV e suas consequências.

Fototerapia com UVB

As lâmpadas de UVB emitem ondas de 290 a 320nm de comprimento. Existem dois tipos de lâmpadas UVB, sendo uma de largo espectro, e a outra que emite ondas de 311 a 312nm de comprimento, denominada UVB de banda estreita (narrow-band). Esse último é atualmente o mais utilizado no mundo todo. Pode ser com câmeras completas fechadas com 42 lâmpadas, câmeras parciais com 6 lâmpadas e aparelhos localizados para áreas específicas como pés, mãos, couro cabeludo e áreas menores.

A fototerapia UVB de banda estreita ou “narrow-band” (UVB-nb) apresenta diversas vantagens, sendo as principais: 1) seu comprimento de onda está fora da região que induz lesão aguda ao DNA celular, portanto muito menor risco de câncer da pele do que a PUVA; 2) produz menos queimaduras; 3) permite menor número de sessões; 4) as remissões são mais prolongadas do que com o UVB tradicional.

UVB geralmente é a primeira opção antes do PUVA, pelo menor risco, pela não utilização de psoralênicos, e pode ser mais efetivo que o PUVA, principalmente nas peles claras, tipo I, II e III. UVB é menos efetivo em lesões muito espessas e em pacientes melanodérmicos (fototipos IV, V e VI).

Existem vários protocolos de tratamento com UVB, podendo variar de três a cinco vezes por semana. Habitualmente precisa-se de no mínimo dois a três meses de tratamento até que se alcance resposta significativa. Manutenção de uma a duas vezes por mês após a melhora total pode ajudar a remissão prolongada do quadro.

Fototerapia com PUVA

O tratamento com PUVA é realizado pela associação de um psoralênico e irradiação de UVA originária de lâmpadas que emitem comprimentos de ondas entre 320 e 400nm. Também pode ser com câmeras completas fechadas com 42 lâmpadas, câmeras parciais com 6 lâmpadas e aparelhos localizados para áreas específicas como pés, mãos, couro cabeludo e áreas menores.

Psoralênicos é o termo usado genericamente para descrever compostos chamados furocumarínicos, encontrados em plantas. São substâncias que, quando estimuladas pelo UV, se ligam às bases pirimidínicas do DNA celular, iniciando as reações fotoquímicas na pele.

Os psoralênicos mais utilizados na dermatologia são: 8-Methoxypsoralen (8-MOP, methoxalen), 5-methoxypsoralen (5-MOP, bergapten) e 4,5,8-trimethoxypsoralen (4,5,8 TMP, trioxalem).5

O PUVA tópico de rotina é realizado com a associação do Trioxalen com a luz UVA, aplicado na pele, meia hora antes da realização da fototerapia. A dose varia de 0,1%, em locais de pele mais fina, até 1%, como nas regiões plantares, e o PUVA tópico é manipulado em pomadas, loções cremosas ou alcoólicas.

Sabe-se que o eritema pós-PUVA pode ocorrer entre 48 e 72 horas após a sessão, e por isso o esquema do tratamento pode ser feito duas a três vezes por semana.

Outras formas de fototerapia

EXCIMER LASER – É um tipo de fototerapia UVB na radiação especifica de 208 nm, sendo a luz emitida em feixes tipo laser. Grande vantagem de ser localizada, quando paciente tem poucas lesões, com resultados similares ao UVb banda estreita. Tratamento mais caro, porém com resultados também excelentes.

FOTOFERESE – A fotoforese extracorpórea para linfoma cutâneo de células T11 é também utilizada para dermatite atópica grave1 e resistente a outros tratamentos. Após a ingestão do psoralênico, as células mononucleares circulantes são submetidas à PUVA por um sistema de exposição extracorpóreo e depois retornam ao paciente.

FOTOTERAPIA COM UVA1 – Fototerapia com UVA de comprimento de onda entre 340 – 400nm (UVA-1), não utilizando o psoralênico. A dose inicial de UVA-1 é de 50J/cm2, em média. Esse método está indicado principalmente para o tratamento da dermatite atópica. Não existe ainda no Brasil.

PUVA imersão ou “bath PUVA” – utiliza se o psoralênico tópico em todo corpo. Paciente entra em uma banheira com o produto e depois se expõe à radiação UVA sem utilizar medicação oral. Na prática, uma modalidade de difícil manejo principalmente no nosso país com tanta exposição solar. Tem menos efeitos colaterais sistêmicos (internos), porém mais riscos de irritação na pele e queimaduras após o procedimento e com a exposição solar.

*O texto é de autoria da Dra. Ivonise Follador (CRM – 7126), diretora técnica da LUZ – Clínica de Dermatologia e Fototerapia.