PRINCIPAIS INDICAÇÕES DA FOTOTERAPIA

PSORÍASE

A psoríase é uma doença frequente em todo mundo, atingindo em média 1 a 2% da população. Acomete o indivíduo em qualquer idade, inclusive na infância e na terceira idade. Tem causa desconhecida, base genética, doença hoje em dia considerada auto-imune, não infecciosa nem contagiosa. Ainda não se descobriu o que faz ativar o processo que leva a um crescimento desordenado da pele nos locais atingidos levando às lesões típicas. Existem fatores desencadeantes como stress psicológico, trauma físico, infecções uso de medicamentos como lítio e anti-inflamatórios, entre outros. As lesões são manchas vermelhas e descamativas grandes ou pequenas, muitas vezes infiltradas ou edematosas, principalmente em cotovelos, joelhos e por cima de outras articulações, podendo atingir também couro cabeludo (simulando uma seborreia mais forte), regiões palmo-plantares, outras partes do corpo e unhas. Existe a psoríase em placas que é a mais comum, mas existem formas pustulosas, em gotas, disseminada em todo corpo (eritrodérmica), apenas nas unhas, apenas no couro cabeludo, etc.  São muitas doenças em uma só.

A psoríase não se restringe apenas à pele, atinge também em 30% dos casos as articulações causando a artrite psoriásica que pode ser muito parecida com outros tipos de artrite como por exemplo a artrite reumatoide. A psoríase está frequentemente mais associada a outras doenças como sobrepeso e obesidade, depressão, distúrbios cardiovasculares incluindo síndrome metabólica, disfunções sexuais e outras. Dos casos de psoríase 70% são casos mais leves que requisitam apenas tratamento tópico e medidas não medicamentosas como dieta, exercícios, perda de peso, relaxamento, etc. Os 30 % de casos mais extensos e mais graves precisam ir além do tratamento tópico. A fototerapia é um primeiro passo quando apenas a pele esta acometida e é nessa doença que esse tratamento com radiação ultra violeta A ou B apresenta seus melhores resultados. Hoje prefere se a fototerapia com UVB banda estreita na maioria dos casos para evitar uso de medicações associadas. Se essas medidas não forem suficientes, existem medicamentos antigos (acitretina, metotrexate, ciclosporina) e novos (imunobiológicos) com excelentes resultados e controlando muito bem a doença, melhorando a qualidade de vida do paciente de modo muito gratificante. Tratar de psoríase é tratar do todo.

A escolha do tratamento depende da forma da psoríase, do local atingido, da extensão do comprometimento, das doenças associadas e do estado geral do paciente, físico e emocional. Muito tem se evoluído nessa área, o paciente precisa procura um médico que tenha experiência nesse tipo de doença, ouvir segunda opinião, se informar e saber que não ter cura não significa não ter tratamento e possibilidade de ficar totalmente bem, sem lesões, em remissão da doença por muitos e muitos anos.

VITILIGO

Vitiligo é uma doença muito frequente que atinge cerca de 1% da população. Tem bases genéticas e neuro-imunológicas.  Existem fatores desencadeantes e agravantes como stress, queimaduras, traumas físicos e contato com algumas substâncias químicas. As manchas brancas aparecem frequentemente na genitália e áreas simétricas como cotovelos, dorso de mãos e pés, joelhos e tornozelos. Existe várias formas de vitiligo: focal ou localizado, segmentar e sistêmico. O sistêmico pode ser mais na face e extremidades (acro -facial) ou disseminado. Existem casos de evolução lenta e casos que já começam de modo mais rápido e extenso. Cada caso é um caso, os quadros não são todos extensos nem graves, existem quadros leves que não evoluem e até regridem espontaneamente ou com o tratamento. Apesar do vitiligo não ser contagioso e não trazer prejuízos à saúde física do paciente é preciso saber que lesões provocadas pela doença podem impactar significativamente na qualidade de vida e na autoestima do paciente, sendo recomendado pelos médicos o acompanhamento psicológico, quando necessário.

O médico dermatologista precisa avaliar quando começou, se está progredindo no momento, fatores agravantes, doenças associadas, extensão do comprometimento e impacto da doença na qualidade de vida do paciente. A doença tem tratamento. Visa primeiro parar a progressão do aparecimento e aumento das manchas e depois, ou paralelo, repigmentar e estabilizar. A fototerapia (principalmente com UVB banda estreita) acompanha todas as etapas do tratamento e é utilizada no mundo todo, geralmente associada a medicamentos tópicos e orais. No caso de manchas residuais existem abordagens cirúrgicas com microenxertos com resultados positivos e satisfatório. Existem muitas pesquisas em andamento e perspectivas de novos medicamentos. Importante o paciente manter bem o lado psicológico e manter o tratamento com profissional especializado, com cuidado para não cair em falsas promessas de milagres. Precisa acreditar que tem tratamento, que tem quadros com respostas excelentes, procurar profissionais qualificados, ter persistência e adesão ao tratamento.

DERMATITE ATÓPICA

A dermatite atópica (também chamada de eczema atópico) é uma dermatose frequente, de causa desconhecida, multifatorial, inflamatória, crônica, não contagiosa, de evolução cíclica com períodos de melhora e piora. Tem uma base genética familiar e freqüentemente está associada à asma ou bronquite e rinite alérgica. Um pouco mais frequente nas áreas urbanas.

Caracteriza-se por lesões inflamatórias da pele, avermelhadas, que coçam muito, ficam úmidas e descamam. Começa habitualmente no primeiro ano de vida, tem uma evolução crônica e cerca de 60% das crianças apresentam redução ou desaparecimento das lesões antes da adolescência. No bebê as lesões predominam na face e nas superfícies externas dos braços e pernas. Nas crianças maiores e nos adultos as lesões acometem principalmente as dobras do corpo, como as dos joelhos, cotovelos e pescoço. Em casos muito graves as lesões podem atingir todo corpo. A pele geralmente é seca, com tendência a infecções virais e bacterianas. As fases de piora podem ser decorrentes do próprio ressecamento, do ato de coçar, das infecções, do contacto com produtos irritantes ou roupas sintéticas e de lã, da baixa umidade do ar, calor ou frio em excesso e de fatores psicológicos. Certos alimentos podem agravar a dermatite atópica, mas não é a causa frequente, tendo um papel controverso.  Nos quadros clínicos mais leves, assim como em crianças maiores e adultos, a presença da alergia alimentar é muito rara. Os principais alimentos quando envolvidos são os leites de vaca e de cabra, ovos, peixes, crustáceos, milho e amendoim. A retirada do alimento suspeito contribui para a melhora do quadro clínico, mas não cura a doença. A coceira é muitas vezes intensa e leva a distúrbios de sono, irritabilidade e diminuição da qualidade de vida.

O controle da dermatite atópica é feito através da redução da exposição aos fatores desencadeantes e tratamento das crises agudas. O banho deve ser de morno para frio, rápido e sem buchas. O uso de hidratantes hipoalergênicos e sem perfumes deve ser diário e utilizado logo após o banho, ainda com a pele úmida.

A redução da população de ácaros no ambiente e na pele pode melhorar os sintomas da dermatite atópica. Importante evitar carpetes e cortinas. Usar protetores de colchões e de travesseiros e lavar semanalmente, roupas pessoais e de cama devem ser exclusivamente de algodão. Evitar cachorros e gatos dentro do quarto bem como evitar contacto com bichos de pelúcia.

O tratamento das crises passa por corticosteroides tópicos e ocasionais orais, inibidores de calcineurinas tópicos (tacrolimus e pimecrolimus), hidratantes, anti histamínicos sedantes para controle do prurido e em casos mais graves e recorrentes há indicação do uso de imunossupressores. A fototerapia pode ser uma ferramenta para tratamento da dermatite atópica moderada a grave, com excelentes resultados.

LINFOMA CUTÂNEO DE CÉLULA T PRIMÁRIO DE PELE

O linfoma cutâneo de células T pertence a um grupo de linfomas que atinge os linfócitos T provocando infiltração dos mesmos em locais da pele onde não deveriam existir, com um padrão predominante e de certa forma sem controle. A causa é desconhecida. Se desenvolve lentamente em períodos que podem durar vários anos. Durante as etapas iniciais o paciente pode sentir coceira e apresentar manchas avermelhadas pruriginosas na pele, geralmente áreas cobertas. Com o tempo pode evoluir para lesões mais infiltradas, tumores e comprometimento ganglionar. O tipo mais frequente é o chamado de Micose fungóide, embora não tenha relação com fungos ou micoses. Existem outras formas menos frequentes como a Papulose linfomatoide, as formas foliculotrópicas, Síndrome de Sezary e outras.

Detectado o linfoma cutâneo de células T, será necessário realizar alguns exames complementares para determinar o estadiamento da doença e o tratamento. O tratamento é feito pelo onco hematologista junto com o dermatologista. A fototerapia pode ser tratamento único e curativo nas formas iniciais, mas acompanha os tratamentos das demais fases ao lado do interferon ou de outras medicações.