Medidas para proteção e prevenção do dano solar: muito além do uso do protetor

father applying sunblock cream on daughters shoulder, sun protection

Por Dra. Ivonise Follador

Os malefícios do excesso de sol já são bem conhecidos e divulgados, mas infelizmente ainda ocorre muito abuso da exposição solar sem cuidados. A proteção da pele contra os efeitos prejudiciais do sol, através da utilização de medidas fotoprotetoras, deveria ser uma prioridade, como em alguns países assim o é. Mas no Brasil essas medidas nem sempre são utilizadas ou nem sempre são bem utilizadas. Muitas pessoas não podem evitar a exposição solar, seja por esporte ou atividade profissional, ou outras razões. Outras continuam a se expor ao sol por vaidade em função da valorização estética do bronzeado ou por outros motivos como prazer e até mesmo dependência e hábito. Todas deveriam pensar e agir com mais cuidado diante dessa exposição à radiação ultravioleta.

Os efeitos nocivos do sol se expressam, em curto prazo, pelo desenvolvimento de eritema ou queimadura solar e, em longo prazo, pelo fotoenvelhecimento e/ou câncer de pele.

Existem diferentes tipos de câncer de pele. Os tumores não-melanomas (carcinoma basocelular e espinocelular) e o melanoma cutâneo ocorrem com base genética e principalmente devido à exposição solar cumulativa ou excessiva por períodos curtos de tempo, destacando se a exposição durante a infância e primeiros anos de juventude.

Apesar de todo conhecimento científico, da relação de excesso de sol com envelhecimento acelerado e câncer de pele, ainda existem pessoas que acreditam que protetor solar não funciona. Os protetores solares podem falhar, mas é importante lembrar que eles funcionam! Só não funcionam se são utilizados em quantidades inapropriadas, no dia a dia e se não repetidos a cada duas horas durante a exposição solar direta e por mais tempo.

As falhas podem ocorrer principalmente pela remoção do protetor solar através de fricção ou transpiração. Ou então, se a camada aplicada é muito fina. A formulação também deve ser considerada, por exemplo, alguns protetores solares têm melhor aderência à pele.

A adesão é o fator mais importante com relação aos protetores solares. Segundo Diffey, um autor de renome em proteção solar, apenas 8% da eficácia dos protetores solares é devido à performance técnica do produto, o restante deve-se à adesão (21% de uniformidade de aplicação e 71% de quantidade de aplicação).

Os raios UVB podem induzir vermelhidão e são responsáveis pelas queimaduras solares, edema, bolhas, bronzeamento lesivo, pigmentação tardia, câncer de pele e fotoenvelhecimento. Use FPS (Fator de proteção Solar – refere se à proteção ao UVB, quantas vezes aquele produto aumenta essa proteção) 30 ou mais no dia a dia e 50 ou mais na exposição solar direta em esporte, caminhada, praia, piscina ou lazer. Use marcas conhecidas e confiáveis. Atenção sempre na quantidade e repetição. Se passar uma camada fina, aquele produto de proteção FPS 60 pode cair para ou menos.

Os raios UVA são menos energéticos e lesivos do que os UVB, mas de maior prevalência na superfície terrestre, sendo pouco filtrados pela camada de ozônio. Em humanos, a radiação UVA aumenta os efeitos agudos da queimadura solar causados pela radiação UVB. Em modelos experimentais, a radiação UVA atua de maneira aditiva no desenvolvimento de câncer induzido pela radiação UVB e, em quantidades suficientemente grandes, a radiação UVA, por si só, pode induzir o câncer de pele. Além disso, a radiação UVA está envolvida no fotoenvelhecimento, no melasma, no desencadeamento e agravamento do lúpus eritematoso, no desenvolvimento de catarata e outras condições caracterizadas por sensibilidade anormal à luz solar. Hoje em dias os protetores solar já tem uma grande proteção contra a radiação UVA, medida pelo método PPD (pós pigmented darkness). Um PPD acima de 10 já é excelente e os produtos devem ter uma relação de 1:3 entre a proteção UVB e a proteção UVA. Por exemplo, se FPS 30, o PPD deverá ser de 10; se o FPS é de 60, o PPD deve ser de 20. Isso é uma exigência da ANVISA.

A radiação UVC pode induzir vermelhidão e causar câncer, porém, felizmente, é praticamente totalmente absorvida e filtrada pela camada de ozônio.

Seguem algumas informações para se proteger dos malefícios da exposição solar:

1-Aplique o protetor solar liberalmente em todas as áreas expostas do corpo. Passar duas vezes a cada aplicação garante mais a quantidade adequada.

2- Aplique o protetor pelo menos meia uma hora antes de se expor ao sol. Todo protetor solar precisa de um tempo em contato com a pele para que proporcione a proteção adequada. Todos os protetores solares, independentes do FPS, e de serem ou não resistentes á água devem ser reaplicados depois de mergulhos, exercícios físicos e/ou transpiração excessiva.

3- Não se esqueça de proteger os lábios; eles estão muito expostos à radiação e necessitam de proteção, portanto, use os protetores labiais! Assim como os lábios, as partes que ficam expostas diretamente ao sol, como orelhas, ombros, nariz, costas, braços, pés e mãos, devem receber proteção especial. A quantidade adequada de protetor solar a ser aplicada deve ser dividida com base nas partes anatômicas. Nove porções, sendo que cada porção deve corresponder a aproximadamente meia colher-de-chá, são necessárias para proporcionar proteção adequada a uma pessoa de porte médio (o que corresponde a aproximadamente 2ml/cm2). Meia colher-de-chá de protetor solar (2,5ml) deve ser aplicada na face e no pescoço, em cada braço e ombro, e em cada lado do tronco, e uma colher-de-chá (5ml) deve ser aplicada em cada perna e no peito do pé.

4- Muito importante! Além dos protetores solares, o uso de bonés ou chapéus e óculos de sol são indispensáveis e representam proteção solar significativa também para a visão. Use óculos de sol que promova 99 a 100% de proteção UVA e UVB, pois assim reduzirá a exposição solar que leva a cataratas e a outros danos aos olhos. Não uso óculos de procedência duvidosa.

5- Evite usar camisetas molhadas sob o sol forte, a água aumenta a passagem da radiação através do tecido, prejudicando a proteção que o tecido seco poderia proporcionar. Camisetas de algodão de cores claras, embora agradáveis de se vestir durante o verão também permitem maior passagem de radiação através do tecido; prefira cores um pouco mais escuras.

6- Cuidado! Evite tomar sol entre 10 e 16 horas. Neste horário você se queima muito mais rápido, e as queimaduras podem ser graves! Para quem estiver sem relógio, aí vai uma boa dica para se safar do sol forte – observe a sua sombra, se ela estiver grande, o sol não está tão forte, e você pode aproveitar um pouco mais; mas se estiver pequena, fuja para a sombra mais próxima!

7- Não utilize câmaras de bronzeamento artificial, pois estas podem emitir quantidade de radiação UVA até dez vezes maior do que a da luz solar.

8- O sol traz grandes benefícios se aproveitado com moderação e cuidados. Lembre se que esse não é o único verão na sua vida. Cuide de suas crianças. Pense em longo prazo. Conheça sua pele, sua história pessoal e familiar. Sol na medida, saúde na certa.

Dra. Ivonise Follador
Dermatologista
Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia
Mestre e Doutora pela Universidade Federal da Bahia
Médica e diretora técnica da LUZ – CLÍNICA DE DERMATOLOGIA E FOTOTERAPIA ltda