A pele é o maior órgão do corpo humano

pele

*Por Ivonise Follador

A pele é o maior órgão do corpo. Representando 16% do peso corporal, exerce inúmeras e múltiplas funções, como: regulação térmica, defesa orgânica, produção de vitamina D, produção periférica de vários hormônios, controle do fluxo sanguíneo, proteção contra diversos agentes do meio ambiente e funções sensoriais (calor, frio, pressão, dor e tato).

Existem bilhões de tipos de receptores na pele que alertam para o frio, o calor, a dor, o prazer, etc. Órgão de mesma origem do sistema nervoso possuem muitas terminações nervosas. A pele é destacadamente um órgão endócrino, neurológico e imunológico. A glândula sebácea é potencialmente uma glândula endócrina e cada vez mais se estuda seus componentes e suas funções bem como sua regulação.

A pele faz parte da autoimagem do indivíduo, da sua relação com o mundo, o toque é fundamental para as relações, inclusive as sexuais, mas não somente ela. O toque tem poder curativo. A pele, além dessas funções, tem um contato direto com o meio externo e com o meio interno, refletindo na mesma os impactos e alterações desses ambientes que a cercam, além de apresentar suas doenças próprias.

Em todas as áreas da Medicina e Saúde o profissional vai se deparar com alterações na pele, desde genéticas e fisiológicas, até alterações na área traumática, química, física, emocional, infecciosa, alérgica, autoimune, ocupacional, estética, tumoral, entre outras.

Observe sua pele, observe a pele do seu paciente, ela nos diz muitas coisas, nos mostra muitas coisas; precisa estar bem cuidada. É formada por três camadas: epiderme, derme e hipoderme, respectivamente da mais externa para a mais profunda.

Epiderme

Camada mais externa da pele é constituída por células epiteliais (queratinócitos) com disposição semelhante a uma “parede de tijolos”. Estas células são produzidas na camada mais inferior da epiderme (camada basal ou germinativa) e em sua evolução em direção à superfície sofrem processo de queratinização ou corneificação, que dá origem à camada córnea, composta basicamente de queratina, uma proteína responsável pela impermeabilização da pele. A renovação celular constante da epiderme faz com que as células da camada córnea sejam gradativamente eliminadas e substituídas por outras.

Além dos queratinócitos encontram-se também na epiderme: os melanócitos, que produzem o pigmento que dá cor à pele (melanina) e células de defesa imunológica (células de Langerhans).

A epiderme dá origem aos anexos cutâneos: unhas, pêlos, glândulas sudoríparas e glândulas sebáceas. A abertura dos folículos pilossebáceos (pêlo + glândula sebácea) e das glândulas sudoríparas na pele formam os orifícios conhecidos como poros.

  • As unhas são formadas por células corneificadas (queratina) que formam lâminas de consistência endurecida. Esta consistência dura confere proteção à extremidade dos dedos das mãos e pés.
  • Os pêlos existem por quase toda a superfície cutânea, exceto nas palmas das mãos e plantas dos pés. Podem ser minúsculos e finos (lanugos) ou grossos e fortes (terminais). No couro cabeludo, os cabelos são cerca de 100 a 150 mil fios e seguem um ciclo de renovação no qual aproximadamente 70 a 100 fios caem por dia para mais tarde darem origem a novos pêlos. Este ciclo de renovação apresenta três fases: anágena (fase de crescimento) – dura cerca de 2 a 5 anos; catágena (fase de interrupção do crescimento) – dura cerca de 3 semanas; e telógena (fase de queda) – dura cerca de 3 a 4 meses.
  • As glândulas sudoríparas produzem o suor e têm grande importância na regulação da temperatura corporal. São de dois tipos: as écrinas, que são mais numerosas, existindo por todo o corpo e produzem o suor eliminando-o diretamente na pele. E as apócrinas, existentes principalmente nas axilas, regiões genitais e ao redor dos mamilos. São as responsáveis pelo odor característico do suor, quando a sua secreção sofre decomposição por bactérias.
  • As glândulas sebáceas produzem a oleosidade ou o sebo da pele. Mais numerosas e maiores na face, couro cabeludo e porção superior do tronco, não existem nas palmas das mãos e plantas dos pés. Estas glândulas eliminam sua secreção no folículo pilo-sebáceo.

Derme

Camada localizada entre a epiderme e a hipoderme, é responsável pela resistência e elasticidade da pele, sendo constituída por tecido conjuntivo (fibras colágenas e elásticas envoltas por substância fundamental), vasos sanguíneos e linfáticos, nervos e terminações nervosas. Os folículos pilossebáceos e glândulas sudoríparas, originadas na epiderme, também se localizam na derme.

A faixa na qual a epiderme e a derme se unem é chamada de junção dermo-epidérmica. Nesta área, a epiderme se projeta em forma de dedos na direção da derme, formando as cristas epidérmicas. Estas aumentam a superfície de contato entre as duas camadas, facilitando a nutrição das células epidérmicas pelos vasos sanguíneos da derme.

Hipoderme

Também chamada de tecido celular subcutâneo, é a porção mais profunda da pele. É composta por feixes de tecido conjuntivo que envolvem células gordurosas (adipócitos) e formam lobos de gordura. Sua estrutura fornece proteção contra traumas físicos, além de ser um depósito de caloria.

*O texto é de autoria da Dra. Ivonise Follador (CRM – 7126), diretora técnica da LUZ – Clínica de Dermatologia e Fototerapia.